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Psicoterapeuta especialista em narcisismo e borderline desde 2012.

O depoimento de como é conviver com uma mãe borderline

O depoimento de como é conviver com uma mãe borderline

Ser criado por mãe borderline demanda compreensão profunda.




Você já parou para pensar em como a convivência familiar molda a maneira como enxergamos o mundo? Às vezes, essa pergunta surge apenas quando nos deparamos com realidades delicadas, repletas de desafios emocionais, típicas de quem precisou sobreviver a mãe borderline.

Entretanto, é justamente nesses contextos que encontramos histórias de superação e lições profundas sobre resiliência. Afinal, crescer em um ambiente doméstico com mãe borderline traz implicações sérias e duradouras para o desenvolvimento de qualquer indivíduo.

Este artigo tem como propósito apresentar o depoimento de uma filha que viveu em casa com uma mãe borderline. Ao longo do texto, analiso os impactos emocionais, comportamentais e relacionais que marcam esse tipo de convivência. Consequentemente, espero oferecer maior compreensão e acolhimento a todos os filhos de mãe borderline, bem como a qualquer pessoa que deseje entender melhor essaa dinâmica familiar.


O que é o transtorno de personalidade borderline?

Antes de nos aprofundarmos na história fictícia, é fundamental compreender o que é, de fato, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). O TPB é uma condição de saúde mental caracterizada por instabilidade nos relacionamentos, autoimagem e afetos, além de impulsividade marcante.

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), os principais critérios incluem padrões de comportamento intenso e caótico, medo profundo de abandono e oscilações de humor extremas.

Em geral, ter mãe com transtorno borderline significa conviver com comportamentos que podem variar entre idealização e desvalorização abrupta, dependência emocional, irritabilidade e sentimentos crônicos de vazio.

Essa instabilidade afetiva ocorre, em parte, por uma hipersensibilidade emocional combinada a um ambiente invalidante na infância. É relevante salientar que a natureza exata do TPB ainda é alvo de constantes estudos, e que cada caso se manifesta de forma singular.

Entretanto, as consequências de morar com uma mãe borderline vão além do que se observa superficialmente. Em muitos relatos, filhos descrevem situações cheias de incertezas, manipulações involuntárias e, em alguns casos, episódios de agressividade emocional.

É comum encontrar declarações do tipo: “Sinto que sou a base emocional da minha mãe, mas não posso contar com ela do mesmo jeito”. Uma busca rápida na Wikipedia mostra que cerca de 1,6% da população geral sofre de TPB, embora algumas pesquisas apontem taxas mais altas chegando a 5,9%.

Por outro lado, crescer com mãe borderline não significa, necessariamente, estar condenado a repetir ciclos de instabilidade. Muitos profissionais de saúde mental destacam a importância de psicoterapias individuais ou familiares para ajudar essas famílias a organizar o ambiente doméstico.

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Além disso, é crucial desenvolver uma rede de apoio, composta por amigos, parentes próximos e até profissionais capacitados, que ofereça suporte para lidar com questões emocionais complexas e, em alguns casos, traumáticas.

Para ilustrar melhor, vejamos uma breve tabela com algumas características gerais do TPB e seu possível impacto na dinâmica familiar com mãe borderline:

Características do TPBImpacto na família
Oscilações de humor extremasAmbiente doméstico com mãe borderline se torna imprevisível e emocionalmente desgastante
Medo intenso de abandonoComportamentos de apego excessivo ou tentativas de manipulação afetam os filhos
Impulsividade em diversas áreas (gasto, sexo, etc.)Pode gerar dívidas familiares e instabilidade financeira, aumentando a tensão
Dificuldades de controle de raivaConflitos frequentes em casa, abalando a sensação de segurança emocional

Em síntese, ao se tratar do TPB no contexto familiar, a palavra-chave é consciência: compreender os sinais, buscar ajuda especializada e encontrar maneiras de equilibrar as necessidades emocionais de todos os envolvidos.


Conhecendo a paciente

Chamá-la-emos de Melissa. Atualmente, Melissa tem 30 anos, é professora de artes e nutre uma grande paixão por trabalhos manuais e desenho. Ela se define como uma pessoa criativa, mas também admite ser profundamente sensível e, às vezes, ansiosa.

Nasceu e foi criada por mãe borderline, mas só descobriu o diagnóstico da mãe aos 16 anos, quando percebeu que as variações de humor, os rompantes de ira e a possessividade que dominavam o lar poderiam ser explicadas por um transtorno de personalidade.

Embora não seja psicoterapeuta, ela procurou ler muito sobre o assunto em livros, reportagens e até mesmo no Wikipedia, para entender o que significava viver com mãe borderline.

Durante a infância, Melissa relata que sempre se sentiu “pisando em ovos”, nunca sabendo ao certo o que poderia desencadear uma briga ou uma crise de choro. As manifestações de carinho eram intensas, mas também havia momentos de rejeição súbita.

Essa ambiguidade afetou sua autoestima, que por muitos anos permaneceu fragilizada. Conviver com uma mãe borderline significava lidar com noites longas de discussões seguidas de dias de silêncio absoluto. Em contrapartida, também havia demonstrações de afeto quase sufocantes, o que a deixou, em suas palavras, “sem entender bem o que é amor normal”.


Depoimento da paciente

“Eu me chamo Melissa, tenho 30 anos. Desde que me entendo por gente, minha casa com mãe borderline foi um lugar de extremos emocionais. Todos os dias, eu me levantava de manhã e pensava: Será que, hoje, ela estará sorridente e amorosa ou irá explodir comigo por qualquer motivo?

A primeira lembrança que tenho de uma crise aconteceu quando eu tinha uns sete anos. Não lembro do motivo exato, mas minha mãe gritou comigo por algo bobo, e, de repente, não podia mais brincar no jardim. Ela disse que eu não a amava e que eu a fazia sofrer. Aquilo partiu meu coração. Afinal, eu era apenas uma criança que tentava agradá-la, mas sentia que, às vezes, isso era impossível.

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Crescer com uma mãe borderline exigiu de mim habilidades de observação muito refinadas. Eu procurava decifrar cada expressão facial, cada tom de voz dela, tentando prever se o dia seria de beijos e abraços ou de broncas e portas batendo.

Em certos dias, ela me acordava com um café da manhã colorido, dizendo que me amava incondicionalmente, me elogiava e me fazia sentir a pessoa mais especial do mundo. Em outros momentos, preferia isolar-se em seu quarto e não dirigia uma única palavra a mim por horas ou até dias.

Esse padrão de amor e ódio me deixava confusa e, muitas vezes, eu perguntava se havia algo de errado comigo.

Olhando para trás, percebo o quão fundamental foi ter encontrado ajuda psicoterapêutica ainda na adolescência. Quando eu tinha 14 anos, passei por uma crise de ansiedade que me levou a buscar atendimento. O interessante é que meu psicoterapeuta foi o primeiro a me explicar que a minha mãe poderia estar passando por um quadro de desregulação emocional crônica, embora ele não tenha falado explicitamente em TPB naquele momento.

Ainda assim, ler sobre o tema, conversar com pessoas na internet — inclusive em fóruns como o Reddit e o Quora — me ajudou a entender que não era a única vivendo aquela montanha-russa.

Além disso, a convivência com uma mãe borderline faz com que você desenvolva uma espécie de antena para conflitos. Basta um leve sinal de irritação para você já se encolher e tentar fugir de qualquer problema.

Isso é algo que levo até hoje para meus relacionamentos amorosos, pois costumo ficar excessivamente preocupada em agradar e evito confrontos a todo custo. É como se eu estivesse marcada pelas experiências passadas. Em contrapartida, também aprendi a ter muita empatia pelo sofrimento alheio, pois vi de perto o quanto minha mãe lutava contra a solidão e contra os próprios demônios internos.

Em casa, entretanto, o clima podia mudar bruscamente se ela sentisse que eu estava “contra” ela. Houve uma época em que comecei a sair com meus amigos da escola. Foi o pior período: bastava que eu ficasse um pouquinho mais feliz por estar com outras pessoas, e ela interpretava como um abandono.

Dizia coisas como: ‘Você me troca por qualquer um. Não valorizo nada para você?’. Quando retornava para aquele ambiente doméstico, precisava me justificar por cada minuto. Se eu fosse ao cinema sem avisar detalhadamente, pronto: era discussão certa, com choros e acusações de ingratidão.

Por outro lado, nos dias bons, eu me sentia mergulhada em afeto. Minha mãe me enchia de mimos, conversava animadamente sobre o futuro e parecia apostar todas as suas fichas em mim. Nesses momentos, eu me sentia a filha mais amada do mundo.

Contudo, essa alegria durava pouco. Na primeira contrariedade, ela passava a me criticar ou dizer que eu não dava valor à família. Sempre me questionava: ‘Como alguém pode ir do amor mais intenso à frieza em questão de minutos?’. Só depois compreendi melhor a dinâmica familiar com uma mãe borderline e percebi que esse padrão era um sintoma do transtorno, não um mero capricho.

Quando estava na faculdade, precisei sair de casa. A situação atingiu um ponto crítico quando ela começou a ter crises de ciúme por eu estar dedicando mais tempo aos estudos e aos colegas do que a ela. Cheguei a sentir culpa, pois ela afirmava que eu a estava deixando sozinha e que eu não me importava com seus sentimentos.

Nesse período, as palavras que mais escutei eram ‘egoísta’, ‘insensível’ e ‘filha ingrata’. Houve momentos em que eu pensava que se tratava de chantagem emocional, mas, ao mesmo tempo, eu sabia que ter uma mãe com transtorno borderline era algo que a tornava particularmente sensível ao medo de abandono. Então, eu tentava equilibrar as coisas, mas a tensão era grande demais.

Sobreviver a mãe borderline também significava encontrar maneiras de me proteger emocionalmente. Uma das estratégias que funcionou para mim foi criar diários, onde eu escrevia tudo o que acontecia no meu dia, desde coisas boas até brigas feias. Um dos trechos que relembro claramente dizia: ‘Hoje, minha mãe me abraçou e disse que temia me perder. Choramos juntas por quase uma hora.

Mas, à noite, discutimos e ela me chamou de egoísta mais uma vez. Sinto que estou ficando louca.’ Esse relato mostra o quanto as emoções podiam sair de um extremo a outro no mesmo dia.”

Vale ressaltar que eu também presenciei momentos em que ela buscava ajuda, seja através de grupos de apoio ou consultas com profissionais da saúde mental. Minha mãe tentava, mas desistia quando sentia que não estava sendo ‘ouvida adequadamente’.

Então, mergulhava em períodos de negação, onde dizia que não precisava de ninguém. Mas, no fundo, sempre achei que ela sabia sim que precisava de suporte. Em diversos posts no Quora e em espaços de comentários de reportagens, vi relatos parecidos de outras pessoas que foram criadas por mãe borderline, relatando essa mesma oscilação: ora envolvimento ativo no tratamento, ora total desistência.

Viver com uma mãe borderline me fez, muitas vezes, duvidar de minhas próprias percepções. Se eu ficava triste, ela dizia que eu estava exagerando, que o mundo era pior para ela. Se eu estava feliz, ela interpretava aquilo como falta de empatia com sua dor.

De certo modo, aprendi a ser hipervigilante, a medir cada palavra antes de falar, pois nunca sabia se aquilo que eu dissesse seria usado contra mim em uma briga posterior. Apesar de tudo, existiam dias amenos, em que conseguíamos conversar quase como mãe e filha ‘normais’ — embora eu odiasse esse termo. Esses dias, mesmo raros, me alimentavam de esperança.”

Chegou um instante em que precisei ir de vez para outra cidade por conta do trabalho. Quando comuniquei isso a ela, as coisas saíram completamente do controle. Fui acusada de traição familiar. ‘Você nunca mais vai voltar, vai me abandonar de vez?’, ela gritava. Lembro-me de ter arrumado as malas aos prantos, pois doía muito deixar para trás aquela situação, ao mesmo tempo em que eu sabia que precisava me cuidar.

Ter uma mãe com transtorno borderline era uma parte da minha vida, mas eu tinha o direito de seguir em frente com meus planos. Lembro-me de sentir um misto de alívio e culpa quando finalmente entrei no ônibus rumo à minha nova vida.

Pouco tempo depois, comecei a receber telefonemas dela, ora me pedindo perdão, ora me acusando de tê-la abandonado. Em algumas ligações, ela pedia que eu voltasse a morar lá, prometendo que tudo seria diferente, que iniciaria uma terapia, tomaria os remédios corretamente.

Outras vezes, dizia que eu não era mais sua filha. Esse ciclo de amor e rejeição se repetiu ininterruptamente por uns seis meses. Fiquei exausta, perdi a concentração no trabalho e considerava voltar para casa, mas sabia que seria dar um passo para trás. Foi um período de imensa angústia, em que busquei muita ajuda psiucoterapêutica.

Conversei com minha psicoterapeuta e ela me orientou a estabelecer limites claros. Então, liguei para minha mãe e expliquei: ‘Eu te amo e não vou te abandonar. Mas preciso que você entenda que tenho minha própria vida agora. Se você sentir que não está bem, procure um profissional ou me ligue para conversar, sem acusações.’

Foi algo difícil de fazer, pois parte de mim morria de medo da reação dela. Ainda assim, era o passo necessário para manter nossa relação minimamente saudável.

A verdade é que cada filho ou filha vive essa dinâmica de forma muito pessoal. Algumas pessoas conseguem se afastar completamente para se proteger. Outras, se mantêm próximas para tentar ajudar a mãe a encontrar acompanhamento adequado.

No meu caso, eu precisei aprender a construir limites e, acima de tudo, a cuidar de mim. De acordo com um artigo que li na Wikipedia, mais de 50% das pessoas com TPB apresentam histórico de abandono ou instabilidade familiar na infância, o que, de certa forma, explica a ânsia de não serem deixadas para trás.

Entretanto, estar do outro lado dessa história — sendo a ‘filha que possivelmente vai abandonar’ — traz uma pressão emocional surreal.

Depois que me firmei na nova cidade, passei a visitá-la com frequência controlada. Sim, eu digo ‘controlada’ porque se eu fosse todo fim de semana, as discussões em casa voltavam a acontecer com uma intensidade muito grande.

Então, decidi visitá-la a cada duas ou três semanas, sempre avisando com antecedência e planejando alguma atividade tranquila. Aos poucos, nossa convivência foi melhorando. Minha mãe chegou a fazer alguns meses de psicoterapia, o que gerou um período de estabilidade para ela. Me senti esperançosa.

No entanto, não havia garantias de que tudo ficaria bem. Ainda hoje, mesmo com 30 anos, tenho dias em que me sinto culpada por não ser a filha perfeita que ela, em determinados momentos, idealiza. Quando ela está em crise, sinto a pressão de não tê-la suprido emocionalmente.

Por isso, entendi que a responsabilidade sobre a saúde mental dela não é exclusivamente minha. Conviver com uma mãe borderline leva você a assumir culpas que não lhe cabem, especialmente quando a mãe em questão transfere seus medos para você. Mas não podemos carregar tudo sozinhos.

Olhar para minha trajetória me fez ver, com clareza, a força que a gente adquire. Consequentemente, também descobri o poder da vulnerabilidade. Não é vergonha chorar, procurar ajuda, dizer que estamos mal, especialmente quando temos um histórico tão intenso.

Acredito que, se minha mãe tivesse encontrado apoio especializado antes, nossa vida teria sido menos turbulenta. Entretanto, reconheço que cada pessoa tem seu tempo para buscar tratamento — e nem sempre isso acontece de forma linear.”

Por fim, se você também se sente confuso(a) por viver com uma mãe borderline, não se culpe. Não ache que é frescura ou que você tem obrigação de ser o suporte emocional infinito da sua mãe.

Procure ajuda especializada, conte com amigos, leia muito sobre o tema. Há grupos de apoio na internet, redes sociais, e mesmo reportagens de pessoas que passaram por experiências similares. Isso ajuda a entender que não estamos sozinhos nessa jornada complexa.

Para concluir meu depoimento, quero reforçar a principal lição que tirei de toda a minha vivência: você não é responsável pela recuperação de outra pessoa, mas pode ser parte do processo de suporte. Cabe a cada um de nós avaliar até que ponto conseguimos e queremos nos envolver, sempre cuidando de nossa saúde mental.

Se há algo que aprendi, é que reconhecer suas próprias limitações não é egoísmo. É autopreservação, é maturidade, e faz parte de qualquer relação que envolva alguém com um transtorno tão profundo quanto o TPB.

Eu entendo, profundamente, a dor de minha mãe. Ela não escolheu ter esse transtorno. Mas isso não significa que eu deva anular minha vida por causa do medo que ela carrega. Ainda mantemos contato regular, e, hoje, nossa relação está um pouco mais estável graças a psicoterapia, a recursos de meditação e a grupos de apoio.

A estrada ainda é longa, mas acredito que compartilhar essa história ajudará outras pessoas que foram criadas por mãe borderline a perceberem que existe saída, existe esperança. E, acima de tudo, existe a possibilidade de criar vínculos mais saudáveis e conscientes.”


Palavras finais

À luz de tudo que foi exposto, fica evidente que a realidade de ser criado por mãe borderline demanda compreensão profunda, tanto de quem vivencia diretamente quanto daqueles que querem oferecer ajuda.

É um processo permeado por desafios emocionais, psicológicos e relacionais, porém, como vimos no depoimento de Melissa, há espaço para buscar equilíbrio e respeito mútuo. Logo, não se trata apenas de lidar com crises, mas também de construir estratégias de convivência a longo prazo.

Por outro lado, a conscientização sobre a importância de psicoterapia, redes de apoio e autoconhecimento é indispensável para que a família consiga se reorganizar. Dados de reportagens, discussões no Quora e relatos no Reddit apontam que famílias que buscam ajuda em conjunto relatam melhoras significativas na comunicação e na redução de conflitos.

Assim, entender os meandros do TPB auxilia não apenas o(a) filho(a), mas a pessoa diagnosticada e todos ao redor.

Em suma, se você também se reconhece em alguma parte dessa narrativa, não hesite em procurar ajuda especializada e em compartilhar suas experiências com outras pessoas. Falar sobre o que se sente será libertador, e há diversos espaços virtuais e presenciais prontos para acolher.

Mais do que “sobreviver a uma mãe borderline”, pode-se aprender a conviver com ela de uma forma que ofereça mais paz, equilíbrio e afeto genuíno, respeitando, ao máximo, os limites de cada um.

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